Balneário Camboriú em 2026: Por Que a Cidade Perdeu o Topo do M² Geral para Itapema e Como o Novo Plano Diretor Destrava o Futuro
Resumo executivo
A alteração na liderança do ranking nacional do Índice FipeZAP em 2026 — com Itapema atingindo a marca de R$ 15.327/m² e ultrapassando a média agregada de Balneário Camboriú (R$ 15.228/m²) — gerou intensos debates no mercado imobiliário brasileiro. Para investidores atentos, essa troca de posições na média estatística geral não sinaliza perda de atratividade de Balneário Camboriú, mas reflete o resultado direto de duas mecânicas urbanísticas e mercadológicas distintas:
- O Motor de Lançamentos de Itapema: A cidade vizinha registrou entre 3 e 4 vezes mais lançamentos imobiliários que Balneário Camboriú. Como empreendimentos na planta entram nos bancos de dados a valores presentes de tabela atualizados, a média do município sobe em velocidade acelerada.
- O Zoneamento Rígido nos Bairros de Balneário Camboriú: Enquanto a orla da Praia Central e o miolo central de Balneário Camboriú possuem altura livre mediante outorga onerosa, os bairros afastados e eixos intermediários eram historicamente limitados a construções de no máximo 4 pavimentos (térreo + 3 andares). Diante dos altos custos dos terrenos locais, construir apenas 4 andares tornava novos empreendimentos financeiramente inviáveis para as grandes incorporadoras.
- O Peso do Estoque Imobiliário Antigo: Com a barreira construtiva nos bairros periféricos, as construtoras não investiam nessas regiões, deixando a cidade dependente de um estoque massivo de edifícios antigos das décadas de 1970, 1980 e 1990, cujos anúncios de revenda a valores mais baixos puxam a média geral municipal do FipeZAP para baixo.
- A Resposta Urbanística com o Novo Plano Diretor: A sanção da nova Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (Microzoneamento) em 15 de julho de 2026, aliada à revisão do Plano Diretor, instituiu Corredores de Desenvolvimento na 4ª e 5ª Avenidas e na Avenida do Estado. O gabarito foi ampliado para edifícios de 120 a 150 metros de altura, com outorga onerosa vinculada a obras de infraestrutura e exigência de 10 metros de recuo para calçadas largas e ciclovias, destravando um novo ciclo de renovação urbana.
- Descolamento do Ultra-Luxo: A média geral anunciada de R$ 15.228/m² mascara o mercado de primeira linha frente-mar na Avenida Atlântica, cujas transações e lançamentos de superarranha-céus operam com liquidez sólida entre R$ 60.000 e mais de R$ 100.000 por metro quadrado privativo.
1. O Ranking FipeZAP 2026: Dados Oficiais e Metodologia
O monitoramento imobiliário brasileiro atingiu um marco histórico em 2026. Pela primeira vez após anos de hegemonia ininterrupta de Balneário Camboriú, o município vizinho de Itapema consolidou a primeira posição nacional no Índice FipeZAP de Venda Residencial. Para analisar esse cenário de forma estritamente técnica, é indispensável compreender o que os números indicam e como o índice é estruturado.
O Índice FipeZAP calcula a média ponderada do preço de anúncio (asking price) de apartamentos residenciais colocados à venda na internet. Esse indicador expressa a expectativa dos vendedores e as tabelas comerciais das incorporadoras, não correspondendo aos valores finais de escritura pública lavrados nos cartórios de registro de imóveis após as negociações de fechamento.
| Posição | Município | Estado | Preço Médio Anunciado (R$/m²) | Perfil Predominante da Amostra |
|---|---|---|---|---|
| 1º lugar | Itapema | SC | R$ 15.327 | Forte proporção de lançamentos recentes e expansão de novos bairros |
| 2º lugar | Balneário Camboriú | SC | R$ 15.228 | Estoque maduro com mescla de edifícios antigos nos bairros e ultra-luxo na orla |
| 3º lugar | Vitória | ES | R$ 14.965 | Escassez insular e forte demanda corporativa na capital capixaba |
| 4º lugar | Florianópolis | SC | R$ 13.365 | Demanda qualificada residencial, tecnologia e restrições ambientais na ilha |
| 5º lugar | Itajaí | SC | R$ 13.263 | Pujança portuária, polo náutico e forte valorização da Praia Brava |
Como se observa no ranking nacional de 2026, Santa Catarina abriga quatro das cinco cidades com o metro quadrado mais valorizado do país. A liderança isolada de Itapema e a proximidade direta com Balneário Camboriú evidenciam que o litoral centro-norte catarinense permanece como o eixo imobiliário mais valorizado e demandado do Brasil. Para aprofundar os fundamentos históricos desse movimento, consulte nossa análise sobre o investimento imobiliário em Balneário Camboriú.
2. A Equação da Virada: Volume de Lançamentos em Itapema
A ultrapassagem de Itapema sobre Balneário Camboriú no ranking geral do FipeZAP não decorre de uma retração na demanda de Balneário Camboriú, mas sim de uma disparidade substancial no ritmo e no volume de novos lançamentos residenciais entre as duas praças, como amplamente documentado em reportagens econômicas do portal G1 Globo.
Nos últimos anos, Itapema estruturou uma capacidade produtiva sem precedentes no estado. A cidade vem registrando um volume de lançamentos imobiliários entre 3 e 4 vezes maior do que Balneário Camboriú. Essa multiplicação de canteiros de obras espalha-se não apenas pela tradicional Meia Praia e pelo Canto da Praia, mas principalmente por bairros em franca expansão como o Morretes e a conexão com a vizinha Porto Belo.
Por Que o Volume de Lançamentos Inflaciona o Índice Médio?
Os imóveis comercializados na planta ou em início de construção chegam ao mercado com tabelas de preços formuladas com base no custo presente dos materiais de construção civil (INCC), nos custos atualizados de outorga e nos projetos contemporâneos com amplas áreas de lazer. Quando uma cidade tem entre 300 e 400 novos edifícios sendo lançados em curto intervalo de tempo, o peso desses anúncios recentes predomina sobre os imóveis mais antigos, elevando a média aritmética municipal do FipeZAP de forma veloz.
Além da escala construtiva, o zoneamento tradicional de Itapema sempre concedeu ampla flexibilidade para a verticalização em diversas quadras e bairros. Isso permitiu que incorporadoras adquirissem glebas e lotes múltiplos para erguer torres de padrão intermediário e alto com velocidade de aprovação e execução. Esse dinamismo regional foi detalhado no comparativo sobre o mercado litorâneo em Praia Brava vs. Balneário Camboriú e Itapema.
3. O Gargalo Estrutural de BC: Altura Livre na Orla vs. Trava de 4 Pavimentos nos Bairros
Enquanto Itapema acelerava a produção de novas unidades em diversos bairros, Balneário Camboriú enfrentava um modelo de planejamento urbano marcado por uma profunda assimetria regulatória.
Historicamente, a legislação urbanística de Balneário Camboriú estabeleceu uma divisão rígida no território municipal:
- Região Central e Frente-Mar (Avenida Atlântica até 3ª Avenida): Aplicação de índices urbanísticos diferenciados com altura livre mediante aquisição de outorga onerosa do direito de construir (Solo Criado) e Transferência do Direito de Construir (TDC). Foi esse modelo que viabilizou os edifícios mais altos da América Latina.
- Bairros Afastados e Eixos Intermediários (4ª Avenida, 5ª Avenida e bairros Nações, Pioneiros, Municípios, Vila Real): O zoneamento anterior impunha restrições severas de potencial construtivo, limitando a grande maioria das áreas a apenas 4 pavimentos (térreo mais 3 andares).
A Inviabilidade Financeira da Trava de 4 Pavimentos
O valor do metro quadrado do terreno urbano em Balneário Camboriú está entre os mais caros do país, em decorrência da restrição territorial do município (com apenas 46 km² de área total espremidos entre a serra e o oceano). Quando uma construtora calculava a compra de um terreno em um bairro intermediário para construir um edifício de somente 4 andares, a conta não fechava. O custo do terreno por metro quadrado privativo construído tornava-se desproporcional ao preço que o comprador daquela região poderia absorver. O resultado foi a estagnação de novos projetos fora da orla: as construtoras não iam para os bairros porque o produto era economicamente inviável.
Essa trava construtiva nos bairros impediu a criação de um estoque moderno de habitação nas regiões secundárias da cidade, represando o desenvolvimento imobiliário e gerando uma escassez de lançamentos contemporâneos com garagens amplas, áreas de lazer completas e eficiência energética fora do miolo de luxo.
4. O Estoque Imobiliário Antigo e a Distorção das Médias Aritméticas
Como consequência direta do desestímulo à renovação urbana nos bairros nas últimas duas décadas, Balneário Camboriú acumulou um expressivo parque imobiliário construído entre as décadas de 1970 e 1990. São milhares de apartamentos de tipologias antigas — muitos sem vaga privativa de garagem, sem elevador moderno e com custos condominiais de manutenção elevados em virtude da idade das instalações.
Esses imóveis de revenda formam uma parcela volumosa da base de dados dos portais de classificados. Seus proprietários, buscando liquidez, anunciam essas unidades a valores por metro quadrado consideravelmente inferiores aos praticados nos novos lançamentos. Nas quadras internas de bairros residenciais ou edifícios antigos do Centro, não é raro encontrar ofertas entre R$ 9.000 e R$ 12.000/m².
Quando esses milhares de anúncios de imóveis usados e defasados são processados na mesma fórmula matemática junto com os apartamentos novos, a média agregada da cidade é puxada para baixo, fixando o índice em R$ 15.228/m². Portanto, a posição no ranking FipeZAP reflete a idade média do estoque residencial ofertado, e não uma redução do valor patrimonial intrínseco de Balneário Camboriú.
5. O Descolamento do Ultra-Luxo: Média Geral vs. Frente-Mar
Para o investidor qualificado, a média geral do FipeZAP é uma métrica genérica que não expressa a realidade do segmento de alta renda. Em Balneário Camboriú, o mercado opera em duas velocidades econômicas completamente descoladas:
A Realidade de Preços da Avenida Atlântica
Enquanto a média municipal anunciada figura em R$ 15.228/m², os apartamentos na primeira quadra da Praia Central (Avenida Atlântica) operam com liquidez contínua entre R$ 60.000 e R$ 100.000 por metro quadrado privativo. Em unidades decoradas de altíssimo padrão, coberturas lineares ou tipologias exclusivas de frente-mar definitiva, os valores praticados em transações fechadas chegam a superar essa faixa.
Esse descolamento superior a 500% entre a média estatística e o topo da pirâmide é sustentado por fatores geográficos e mercadológicos únicos:
- Escassez Geográfica Absoluta (Efeito Ilha): A orla central de Balneário Camboriú possui apenas 6,8 km de extensão. Todos os terrenos frente-mar já foram ocupados. Para viabilizar um novo lançamento na Avenida Atlântica, as incorporadoras precisam realizar assembleias complexas de condomínios antigos, adquirir dezenas de matrículas individuais, indenizar proprietários e demolir os prédios existentes para unificar os lotes. Esse processo consome anos e milhões de reais, estabelecendo uma barreira de entrada inexpugnável.
- Supertall Buildings e Grifes Globais: Balneário Camboriú concentra 7 dos 10 edifícios residenciais mais altos do Brasil. A cidade abriga projetos monumentais como o YachtHouse by Pininfarina e o futuro Senna Tower em Balneário Camboriú — projetado para superar 500 metros de altura e se tornar o edifício residencial mais alto do planeta. Projetos com marcas mundiais como Porsche, Versace e Lamborghini transformaram a cidade em um cofre imobiliário internacional.
- Preservação Patrimonial e Moeda Forte: Grandes empresários do agronegócio do Centro-Oeste e executivos de capitais financeiras utilizam os imóveis de luxo de Balneário Camboriú como reserva de valor e instrumento de hedge contra a inflação e oscilações cambiais. Esse comportamento é explorado em nosso estudo sobre o investimento em imóveis de luxo em Balneário Camboriú.
6. A Virada Urbanística: O Novo Plano Diretor e as 4ª e 5ª Avenidas
Para solucionar a trava histórica que inviabilizava o desenvolvimento nos bairros, Balneário Camboriú concluiu uma profunda reformulação urbanística nos últimos meses. Após debates técnicos e a aprovação legislativa, foi sancionada em 15 de julho de 2026 a nova Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo (Lei do Microzoneamento), regulamentando a revisão do Plano Diretor Municipal.
Essa transformação foi destacada em matérias especiais de veículos como a Gazeta do Povo sobre a verticalização nos bairros de Balneário Camboriú e nas análises da NSC Total sobre a nova Lei do Microzoneamento, atacando diretamente a causa raiz da estagnação construtiva fora da orla.
Criação dos Corredores de Desenvolvimento Urbano
O eixo central da nova regulamentação foi a instituição de Corredores de Desenvolvimento ao longo de vias estruturantes, destacando-se a 4ª Avenida, a 5ª Avenida e a Avenida do Estado. Nessas zonas especiais:
- Ampliação de Gabarito de Altura: A antiga limitação de 4 pavimentos foi extinta nesses corredores. A nova lei autorizou a construção de edifícios verticais com alturas que variam entre 120 e 150 metros (aproximadamente 35 a 45 pavimentos), permitindo que projetos modernos ganhem escala e viabilidade financeira.
- Descentralização da Verticalização: O objetivo explícito é aliviar a pressão construtiva e de adensamento sobre a orla marítima, incentivando o redirecionamento de investimentos privados para as quadras intermediárias e bairros em processo de requalificação.
Outorga Onerosa Vinculada à Infraestrutura Pública
Para usufruir do potencial construtivo adicional de 120 a 150 metros de altura, as incorporadoras devem pagar ao município a Outorga Onerosa do Direito de Construir (OODC). A grande inovação da legislação de 2026 é a vinculação obrigatória desses recursos financeiros a fundos municipais de infraestrutura:
- Financiamento do prolongamento viário e requalificação paisagística da 4ª e da 5ª Avenidas;
- Obras de macrodrenagem pluvial para prevenir pontos históricos de retenção hídrica em dias de chuvas intensas;
- Implantação de redes modernas de fiação subterrânea e iluminação pública em LED de alta eficiência.
Qualificação do Espaço Público e Fachadas Ativas
Ao contrário dos modelos do passado em que edifícios se isolavam atrás de muros cegos, a nova Lei do Microzoneamento exige rígidas contrapartidas urbanísticas para a aprovação das novas torres:
- Recuo Obrigatório de 10 Metros: As novas edificações nos corredores devem manter recuo frontal de 10 metros, destinado obrigatoriamente à ampliação de passeios públicos, calçadas acessíveis e ciclovias segregadas.
- Fachadas Ativas e Espaços de Convivência: Incentivo ao comércio e serviços nos pavimentos térreos integrados ao passeio, estimulando a caminhabilidade e a segurança urbana.
- Taxa de Ocupação Controlada: Em lotes maiores de zoneamento excepcional, as torres podem ocupar apenas 30% da projeção do terreno, garantindo permeabilidade do solo, ventilação e insolação adequadas para o entorno.
Para entender como os ciclos econômicos e legais interagem com o momento de entrada no mercado, recomendamos a leitura sobre os ciclos do mercado imobiliário de luxo em 2026.
7. Tabela Comparativa: Balneário Camboriú vs. Itapema
A tabela a seguir resume as principais variáveis que explicam a dinâmica de preços, o perfil de lançamentos e o modelo de zoneamento em cada uma das cidades em 2026:
| Critério de Comparação | Balneário Camboriú (SC) | Itapema (SC) |
|---|---|---|
| Posição no FipeZAP 2026 | 2º lugar nacional (R$ 15.228/m² de média geral) | 1º lugar nacional (R$ 15.327/m² de média geral) |
| Preço Médio Frente-Mar | R$ 60.000 a R$ 100.000+/m² (Avenida Atlântica) | R$ 28.000 a R$ 50.000/m² (Meia Praia / Canto da Praia) |
| Volume de Lançamentos | Moderado e altamente concentrado em ultra-luxo | Massivo (3x a 4x superior a Balneário Camboriú) |
| Zoneamento em Bairros | Em transformação: 120m a 150m na 4ª e 5ª Avenidas (novo Plano Diretor) | Permissivo em múltiplos bairros (Morretes, Meia Praia) |
| Perfil do Estoque | Heterogêneo: edifícios antigos de 1970–90 vs. supertalls globais | Homogêneo e recente: grande predominância de prédios novos |
| Projetos Estruturantes | Reurbanização da orla, fiação subterrânea, Senna Tower (+500m) | Alargamento de praia, Píer Oporto, nova marina pública |
| Estratégia do Investidor | Preservação de capital, ultra-luxo e valorização nas novas avenidas | Ganhos de capital na planta, expansão urbana e ticket inicial acessível |
8. Impactos e Oportunidades para o Investidor (2026–2030)
A conjunção entre a consolidação do ultra-luxo na orla e o destravamento urbanístico das 4ª e 5ª Avenidas pelo novo Plano Diretor abre uma janela de oportunidades com perfis de risco e retorno bem delineados para os próximos anos, conforme detalhado na cobertura do ND Mais sobre os corredores de desenvolvimento de Balneário Camboriú:
1. O Vetor de Valorização nas Quadras Intermediárias (4ª e 5ª Avenidas)
Com a liberação de gabaritos de até 150 metros, os terrenos situados na 4ª e 5ª Avenidas passam por um processo imediato de reprecificação. Incorporadoras já iniciaram a aquisição de lotes e imóveis unifamiliares antigos para a formação de terrenos maiores. O investidor que se posicionar em lançamentos nesses corredores na fase inicial do novo microzoneamento tende a capturar ganhos de capital substanciais à medida que as obras de reurbanização viária, calçadões e ciclovias forem entregues pelo poder público.
2. Retrofit e Renovação do Centro Tradicional
A concorrência com novos edifícios modernos nas avenidas intermediárias forçará condomínios antigos das 2ª e 3ª Avenidas a realizarem obras estruturais de modernização de fachadas, substituição de elevadores e retrofit de áreas comuns para manterem a competitividade no mercado de locação e revenda. Para entender a distribuição dos melhores pontos de moradia, leia nosso guia sobre os melhores bairros para morar em Balneário Camboriú.
3. Consolidação do Litoral Norte como Hub Integrado
A ascensão de Itapema somada à força de Balneário Camboriú, Itajaí e Porto Belo não gera canibalização de mercado, mas solidifica um corredor metropolitano de alta renda. A valorização na cidade vizinha cria um piso de preços que sustenta e impulsiona as cotações de Balneário Camboriú. Acompanhe a evolução de tendências em nosso relatório sobre o mercado imobiliário e tendências regionais.
9. Checklist de Due Diligence e Decisão Patrimonial
Antes de formalizar qualquer aquisição imobiliária em Balneário Camboriú ou cidades vizinhas, siga este roteiro de verificação técnica e jurídica para mitigar riscos:
- Verificação do Registro de Incorporação (RI): Em compras na planta, exija a certidão de inteiro teor da matrícula constando o número do Registro de Incorporação (RI) no Cartório de Registro de Imóveis competente, garantindo que o empreendimento esteja 100% aprovado pelos órgãos municipais e cartorários.
- Consulta de Viabilidade Urbanística no Novo Plano Diretor: Para terrenos e imóveis na 4ª e 5ª Avenidas, solicite junto aos canais de planejamento a consulta de viabilidade construtiva atualizada sob a nova Lei do Microzoneamento de 2026, confirmando recuos e taxa de outorga.
- Auditoria de Documentação e Certidões: Exija certidões negativas de débitos tributários municipais (IPTU e taxa de lixo), certidões cíveis e trabalhistas dos vendedores e da incorporadora, e declaração de quitação condominial assinada pelo síndico. Consulte detalhes em nosso guia sobre documentos e custos para comprar imóvel em Balneário Camboriú.
- Separação Entre Média de Anúncio e Preço Real: Não tome decisões baseando-se unicamente em índices gerais como o FipeZAP. Analise o histórico de transações reais de imóveis de tipologia equivalente no mesmo microbairro.
- Cálculo do Custo Total de Aquisição: Inclua no seu planejamento financeiro o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI municipal), os emolumentos de escritura pública e registro imobiliário, e eventuais custos de personalização ou mobília.
- Análise de Patrimônio de Afetação: Confirme se o empreendimento em construção possui Patrimônio de Afetação formalmente averbado na matrícula, garantindo que os recursos daquela obra permaneçam segregados do patrimônio geral da construtora.
10. Perguntas Frequentes (FAQ)
Por que Balneário Camboriú perdeu a liderança do metro quadrado médio no FipeZAP para Itapema em 2026?
A ultrapassagem de Itapema decorre principalmente de dois fatores estruturais: o volume maciço de novos lançamentos em Itapema (cerca de 3 a 4 vezes superior ao de Balneário Camboriú), que entram nos índices a preços de tabela atualizados, e o zoneamento permissivo que permitiu grandes torres em bairros como Morretes e Meia Praia. Em contrapartida, Balneário Camboriú possui um amplo estoque de imóveis residenciais antigos nas quadras secundárias que reduzem a média aritmética da cidade, somado ao antigo zoneamento que limitava os bairros mais afastados a apenas 4 pavimentos, inviabilizando novos lançamentos.
O que o Índice FipeZAP mede exatamente?
O Índice FipeZAP mede o preço médio de anúncio (asking price) de imóveis residenciais colocados à venda na internet. Ele não reflete os valores finais de escrituras públicas ou transações registradas em cartório, nem calcula isoladamente o segmento de ultra-luxo da orla marítima.
Quanto custa o metro quadrado na Avenida Atlântica de Balneário Camboriú em 2026?
Enquanto a média geral de anúncios do município é de R$ 15.228/m², os imóveis de frente para o mar na Avenida Atlântica operam em um patamar exclusivo entre R$ 60.000 e mais de R$ 100.000 por metro quadrado privativo, impulsionados pela escassez de terrenos e edifícios de grifes internacionais.
Por que as construtoras não investiam nos bairros mais afastados de Balneário Camboriú?
Até a revisão urbanística recente, o zoneamento fora do eixo central limitava as edificações a apenas 4 pavimentos (térreo mais 3 andares). Com o elevado custo de aquisição da terra urbana em Balneário Camboriú, desenvolver projetos baixos era financeiramente inviável para as incorporadoras, travando o progresso imobiliário fora da orla.
Quais são as principais mudanças do novo Plano Diretor e da Lei do Microzoneamento de Balneário Camboriú sancionada em 2026?
A nova legislação sancionada em 15 de julho de 2026 criou Corredores de Desenvolvimento ao longo da 4ª e 5ª Avenidas e Avenida do Estado, liberando a verticalização para alturas entre 120 e 150 metros mediante Outorga Onerosa, com exigência de recuo de 10 metros para calçadas largas e ciclovias.
Como a Outorga Onerosa do Direito de Construir (OODC) beneficia a infraestrutura da cidade?
Os recursos arrecadados com o pagamento da outorga para construir pavimentos adicionais são obrigatoriamente destinados a um fundo municipal para financiar obras públicas de mobilidade, drenagem, prolongamento de avenidas e requalificação urbana.
Itapema ou Balneário Camboriú: qual cidade oferece melhor oportunidade de investimento?
Depende da estratégia patrimonial. Itapema atrai investidores focados em ritmo acelerado de lançamentos na planta e expansão de novos bairros com ticket médio de entrada competitivo. Balneário Camboriú é o porto seguro de consolidação patrimonial, liquidez de altíssimo padrão, superarranha-céus globais e, agora, valorização acelerada nas quadras intermediárias destravadas pelo novo Plano Diretor.
Qual é o ranking oficial das cidades com metro quadrado mais valorizado do Brasil em 2026?
No ranking FipeZAP de 2026, as 5 cidades mais caras em preço médio de anúncio residencial são: 1º Itapema (R$ 15.327/m²), 2º Balneário Camboriú (R$ 15.228/m²), 3º Vitória (R$ 14.965/m²), 4º Florianópolis (R$ 13.365/m²) e 5º Itajaí (R$ 13.263/m²).
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Falar com a MMI11. Fontes Oficiais e Referências Técnicas
- Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe): Relatório Mensal do Índice FipeZAP de Venda Residencial (série histórica, preços médios de anúncio e metodologia nacional).
- Portal G1 Globo (Economia e Mercado): Reportagem Especial: Itapema Ultrapassa Balneário Camboriú e Assume Liderança do Metro Quadrado Mais Caro do Brasil.
- Gazeta do Povo (Arquitetura e Urbanismo): Novo Plano Diretor de Balneário Camboriú Prevê Prédios de Até 150 Metros nos Bairros e Descentralização da Verticalização.
- NSC Total (Economia SC): Análise Técnica: A Nova Lei do Microzoneamento de Balneário Camboriú e o Futuro das 4ª e 5ª Avenidas.
- Portal ND Mais (Desenvolvimento Regional): Cobertura: Balneário Camboriú Sanciona Novo Microzoneamento e Destrava Corredores Urbanos com Outorga Onerosa.
